Membro do LEMATE participa de evento na Amazônia
O mestrando do PGA/LEMATE e servidor do Instituto Federal de Educação do Amazonas (IFAM), Leonardo Moura de Souza, integrou a equipe organizadora do II Circuito das Águas do Médio Juruá, ocorrido entre os dias 8 e 10 de julho no municícipio de Carauarí – Amazonas. Este evento faz parte do Projeto Escola Ribeirinha Sustentável, desenvolvido pelo Ministério da Educação através da CAPES e do IFAM, junto à Prefeitura Municipal de Carauari e um conjunto de instituições públicas e privadas que integra o Fórum do Território Médio Juruá. O respectivo evento é uma continuação do primeiro Circuitos das Águas realizado em fevereiro de 2019. O Projeto Escola Ribeirinha Sustentável tem como objetivo promover mudanças culturais voltadas à sustentabilidade socioambiental nas comunidades rurais do Médio Juruá, incluindo a Educação Ambiental na formação dos professores, tendo a água como matriz ecopedagógica.
O Território do Médio Juruá situa-se em uma região do estado do Amazonas que reúne exuberante biodiversidade e expressiva organização social. Ali, a geração de renda com a manutenção da floresta em pé revela-se vocação natural, sobretudo pela existência de duas unidades de conservação (UCs) – a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Uacari e a Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá – que juntas somam uma área de aproximadamente um milhão de hectares, além das Terras Indígenas do Rio Biá e do Deni/Rio Xeruã.
Nos anos de 1990, a luta dos extrativistas e o movimento em torno da defesa das florestas fizeram surgir associações e cooperativas empenhadas em reviver e ressignificar os meios de vida tradicionas, fortalecendo a inserção dos produtos da biodiversidade no mercado nacional. A criação das UCs gerou oportunidades para o uso sustentável dos recursos naturais da região, concentrando investimentos e políticas públicas voltadas, sobretudo, para o uso dos ativos da biodiversidade por meio de atividades produtivas sustentáveis.
O apoio de instituições governamentais, organizações não governamentais, empresas e instituições de ensino e pesquisa ensejou a criação do Fórum de Desenvolvimento Territorial do Médio Juruá em 2014. Mais do que gerar renda e manter a floresta em pé com o fomento das cadeias produtivas do ativo da biodiversidade amazônico, o Fórum pretende estimular a organização social, garantindo a participação das comunidades locais na gestão territorial e favorecendo objetivos compartilhados.
Foi nesse cenário que se deu o II Circuito das Águas, momento muito rico de reflexão e troca de saberes e vivências acerca desse elemento essencial, místico e sagrado: a água doce, a Amazônia azul. A água está intimanete relacionada com a vida na Amazônia, ela dita a dinâmica de vida de humanos, da fauna e da flora com as cheias e vazantes dos grandes rios, que dominam a grande floresta e contribuem para a biodiversidade. O evento aconteceu no Centro da Juventude do município e contou com a participação de mais de 130 pessoas, na sua grande maioria professores e professoras da zona rural da rede municipal de educação, entre eles, professores indígenas das etnias Kanamari e Kulina e jovens protagonistas das duas Unidades de Conservação. Esses participantes terão a função de multiplicadores dos conhecimentos adquiridos em suas comunidades.
A programação do evento foi composta de seminários e palestras pela parte da manhã e oficinais a tarde, com três eixos formativos: Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida), considerado pelo MEC um Guia de Tecnologias Educacionais e de gestão da educação, que contribui para promover a qualidade da educação nos sistemas públicos de ensino; Ecotécnicas (captação de água da chuva, implementação de banheiros seco, coleta seletiva, compostagem, horta escolar, filtragem de água, entre outros) e Ecomunicação (jornal, rádio, vídeo, web, pintura, teatro e música), concebido como um processo de registro e posterior reflexão sobre as práticas realizadas e sua divulgação nas redes sociais. Essas ações têm o propósito de preparar o Festival das Águas do Médio Juruá, que será um grande evento previsto para fevereiro do ano de 2020.
Na oportunidade, foi apresentado o vídeo da Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST) para algumas lideranças do Fórum do Território do Médio Juruá (Associação dos Produtores Rurais de Carauari – AMARU, ICMBio – Resex do Médio Juruá, Casa Familiar Rural de Capinas, Fundação Amazonas Sustentável – FAS e Fundação Natura). A CBST se apresentou como uma novidade para a maioria dos presentes, que não conheciam essa estratégia de desenvolvimento territorial. Isso rendeu um bom diálogo após o vídeo. Eles se mostraram entusiasmados quanto à possibilidade de se trabalhar de forma integrada com os recursos territoriais, o turismo em comunidades agroextratisvistas e um sígno distintivo (marca territorial) que diferencie e valorize os produtos no mercado. O enfoque da Cesta foi considerado pelos presentes uma oportunidade de fortalecer, promover e registrar ações que já vem sendo desenvolvidas por diversos atores do território, tendo
os seguintes principais produtos territoriais: o majeno do pirarucu em lagos preservados, extração e comercialização do óleo de andiroba, manejos de quelônios e florestal comunitário, entre outros. Porém, ficou a dúvida de como que a Cesta de Bens e Serviços Territoriais poderia ser ressignificada e adaptada para a realidade amazônica? Tem-se, portanto, uma porta aberta para, quem sabe, se estabelecer uma parceria Norte-Sul entre o PGA e o conjunto de organizações que integram o Fórum de Desenvolvimento Territorial do Médio Juruá.


Este Seminário foi realizado no âmbito do projeto de pesquisa-ação “Rumo à sustentabilidade alimentar: reformular a coexistência de diferentes sistemas alimentares na América do Sul e África”, coordenado pela Universidade de Berna/Suíça, do qual a pós-doutoranda participa. Em Seara, este projeto desenvolve ações de qualificação da cadeia produtiva e articula junto aos poderes executivo e legislativo a implementação de uma lei municipal que permita a comercializações de queijos e derivados de leite cru no mercado formal. Os recentes avanços em relação a legislação de queijos e derivados de leite cru consistem na aprovação da Lei 13.680 de 14 de junho de 2018 e Lei 17.486 de 16 de janeiro de 2018, esta última, pelo Estado de Santa Catarina.
Durante o evento, foram apresentados e debatidos os principais resultados de dois projetos de pesquisa que estão sendo executados na região de Chapecó, a saber: “Governança alimentar e práticas das famílias agrícolas uma abordagem pelos fluxos de provisão de alimentos e a multilocalização familiar (GAPRA)” e “Caracterização da produção de alimentos para autoconsumo na região Oeste Catarinense”. Os dois pesquisadores do PGA/LEMATE integram o projeto GAPRA, que conta com a parceria com pesquisadores franceses ligados ao CIRAD e à UMR Art-Dév da Universidade de Montpellier.
Nessa perspectiva, os estudantes realizaram visitas e entrevistas, buscando identificar recursos e ativos territoriais específicos, bem como as estruturas de intercâmbio entre os diferentes atores sociais (pesquisadores, sociedade civil, empresas privadas, órgãos públicos). Nesta etapa, a pesquisa teve ênfase na compreensão do processo de implementação da Indicação Geográfica (IG) da erva mate e no levantamento de iniciativas ligadas à agroecologia.
Nos dias 11 e 12 de abril, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais (Mestrado Profissional) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) organizou o seminário “Ruralidades – Urbanidades: potencialidades e desafios para o desenvolvimento”. Esse seminário integrou três eventos científicos correlacionados ao tema do desenvolvimento territorial: IV Seminário Nacional de Planejamento e Desenvolvimento – SNPD, III Seminário Território, Territorialidades e Desenvolvimento Regional, VI Encontro dos Mestrados Profissionais da Área Planejamento Urbano e Regional/Demografia. Nessa oportunidade, o prof. Cazella do Programa de Pós Graduação em Agroecossistemas da UFSC participou como palestrante da Mesa-redonda 1, cujo tema foi Ruralidades contemporâneas: perspectivas e desafios para a agricultura de base familiar.

