Membro do LEMATE participa de evento na Amazônia

25/07/2019 09:47

O mestrando do PGA/LEMATE e servidor do Instituto Federal de Educação do Amazonas (IFAM), Leonardo Moura de Souza, integrou a equipe organizadora do II Circuito das Águas do Médio Juruá, ocorrido entre os dias 8 e 10 de julho no municícipio de Carauarí – Amazonas. Este evento faz parte do Projeto Escola Ribeirinha Sustentável, desenvolvido pelo Ministério da Educação através da CAPES e do IFAM, junto à Prefeitura Municipal de Carauari e um conjunto de instituições públicas e privadas que integra o Fórum do Território Médio Juruá. O respectivo evento é uma continuação do primeiro Circuitos das Águas realizado em fevereiro de 2019. O Projeto Escola Ribeirinha Sustentável tem como objetivo promover mudanças culturais voltadas à sustentabilidade socioambiental nas comunidades rurais do Médio Juruá, incluindo a Educação Ambiental na formação dos professores, tendo a água como matriz ecopedagógica.

O Território do Médio Juruá situa-se em uma região do estado do Amazonas que reúne exuberante biodiversidade e expressiva organização social. Ali, a geração de renda com a manutenção da floresta em pé revela-se vocação natural, sobretudo pela existência de duas unidades de conservação (UCs) – a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Uacari e a Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá – que juntas somam uma área de aproximadamente um milhão de hectares, além das Terras Indígenas do Rio Biá e do Deni/Rio Xeruã.

Nos anos de 1990, a luta dos extrativistas e o movimento em torno da defesa das florestas fizeram surgir associações e cooperativas empenhadas em reviver e ressignificar os meios de vida tradicionas, fortalecendo a inserção dos produtos da biodiversidade no mercado nacional. A criação das UCs gerou oportunidades para o uso sustentável dos recursos naturais da região, concentrando investimentos e políticas públicas voltadas, sobretudo, para o uso dos ativos da biodiversidade por meio de atividades produtivas sustentáveis.

O apoio de instituições governamentais, organizações não governamentais, empresas e instituições de ensino e pesquisa ensejou a criação do Fórum de Desenvolvimento Territorial do Médio Juruá em 2014. Mais do que gerar renda e manter a floresta em pé com o fomento das cadeias produtivas do ativo da biodiversidade amazônico, o Fórum pretende estimular a organização social, garantindo a participação das comunidades locais na gestão territorial e favorecendo objetivos compartilhados.

Foi nesse cenário que se deu o II Circuito das Águas, momento muito rico de reflexão e troca de saberes e vivências acerca desse elemento essencial, místico e sagrado: a água doce, a Amazônia azul. A água está intimanete relacionada com a vida na Amazônia, ela dita a dinâmica de vida de humanos, da fauna e da flora com as cheias e vazantes dos grandes rios, que dominam a grande floresta e contribuem para a biodiversidade. O evento aconteceu no Centro da Juventude do município e contou com a participação de mais de 130 pessoas, na sua grande maioria professores e professoras da zona rural da rede municipal de educação, entre eles, professores indígenas das etnias Kanamari e Kulina e jovens protagonistas das duas Unidades de Conservação. Esses participantes terão a função de multiplicadores dos conhecimentos adquiridos em suas comunidades.

A programação do evento foi composta de seminários e palestras pela parte da manhã e oficinais a tarde, com três eixos formativos: Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida), considerado pelo MEC um Guia de Tecnologias Educacionais e de gestão da educação, que contribui para promover a qualidade da educação nos sistemas públicos de ensino; Ecotécnicas (captação de água da chuva, implementação de banheiros seco, coleta seletiva, compostagem, horta escolar, filtragem de água, entre outros) e Ecomunicação (jornal, rádio, vídeo, web, pintura, teatro e música), concebido como um processo de registro e posterior reflexão sobre as práticas realizadas e sua divulgação nas redes sociais. Essas ações têm o propósito de preparar o Festival das Águas do Médio Juruá, que será um grande evento previsto para fevereiro do ano de 2020.

Na oportunidade, foi apresentado o vídeo da Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST) para algumas lideranças do Fórum do Território do Médio Juruá (Associação dos Produtores Rurais de Carauari – AMARU, ICMBio – Resex do Médio Juruá, Casa Familiar Rural de Capinas, Fundação Amazonas Sustentável – FAS e Fundação Natura). A CBST se apresentou como uma novidade para a maioria dos presentes, que não conheciam essa estratégia de desenvolvimento territorial. Isso rendeu um bom diálogo após o vídeo. Eles se mostraram entusiasmados quanto à possibilidade de se trabalhar de forma integrada com os recursos territoriais, o turismo em comunidades agroextratisvistas e um sígno distintivo (marca territorial) que diferencie e valorize os produtos no mercado. O enfoque da Cesta foi considerado pelos presentes uma oportunidade de fortalecer, promover e registrar ações que já vem sendo desenvolvidas por diversos atores do território, tendo os seguintes principais produtos territoriais: o majeno do pirarucu em lagos preservados, extração e comercialização do óleo de andiroba, manejos de quelônios e florestal comunitário, entre outros. Porém, ficou a dúvida de como que a Cesta de Bens e Serviços Territoriais poderia ser ressignificada e adaptada para a realidade amazônica? Tem-se, portanto, uma porta aberta para, quem sabe, se estabelecer uma parceria Norte-Sul entre o PGA e o conjunto de organizações que integram o Fórum de Desenvolvimento Territorial do Médio Juruá.