Cooperativismo é alternativa para o desenvolvimento
Em reportagem especial da Assembleia Legislativa de SC, professor do Lemate analisa a situação do cooperativismo no país
Professor do Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e do Território (Lemate) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Fabio Luiz Burigo é pesquisador do cooperativismo. Para ele, embora na região Sul esse sistema econômico, quando comparado ao restante do país, seja mais disseminado e desenvolvido, ele não é encarado como uma opção para o desenvolvimento do país e para a solução dos problemas sociais.
“O cooperativismo é valorizado quando as pessoas veem os resultados, mas não é visto como uma saída para resolver os grandes problemas sociais e econômicos do país”, considera. É um modelo que pode ser bom para criar uma nova forma de convívio social.”
Os resultados apresentados pelo cooperativismo catarinense nos últimos anos, na avaliação de Burigo, mostram que esse modelo suporta melhor os períodos de crise. Mesmo assim, para o professor, falta uma cultura cooperativista no Brasil. “Embora o país tenha uma vocação para o empreendedorismo, ela é muito individualista”, considera.
Legislação
Para Burigo, a criação de um novo marco legal para o cooperativismo seria um importante passo para alterar esse cenário. “A atual legislação é antiga, de 1971. É uma legislação que não se renovou com a redemocratização e na Constituição de 1988”, considera. “Falta um marco legal, coerente com as demandas sociais que podem ser atingidas pelo cooperativismo, com o desenvolvimento econômico e social.”
Atualmente, está em tramitação na Câmara dos Deputados proposta já aprovada pelo Senado Federal. “É um projeto que organiza a casa. Cria um marco legal que reconhece as cooperativas ligadas à OCB e as menores, ligadas à economia solidária. Trata da destinação de recursos.”
O professor reconhece que há iniciativas do poder público em prol do cooperativismo, no entanto, elas são isoladas e por vezes contraditórias. Um novo marco legal poderia resultar na criação de uma política única, mas abrangente, que unificasse as ações já existentes.
O ramo de crédito é considerado pelo professor um exemplo bem-sucedido da relevância do cooperativismo. A possibilidade da livre admissão de associados e a atuação forte do Banco Central do Brasil no controle do sistema explicam, na avaliação de Burigo, esse sucesso. “É um modelo com mais transparência, com mais controle, que possibilita ao cooperativismo de crédito ser uma alternativa à excessiva concentração do sistema bancário brasileiro”, comenta.
Educação
Burigo afirma que ainda há muito o que ser desenvolvido no cooperativismo brasileiro, em especial no meio urbano. Por isso, defende que o assunto seja abordado nas escolas.
“Educação não é apenas capacitação e treinamento. De fazer a gestão coletiva, de ser coletivo, de entender que o sistema tem suas vantagens e deveres”, afirma. “Mas essa é uma mudança de cultura, que tem que ser feita no longo prazo.”




Este Seminário foi realizado no âmbito do projeto de pesquisa-ação “Rumo à sustentabilidade alimentar: reformular a coexistência de diferentes sistemas alimentares na América do Sul e África”, coordenado pela Universidade de Berna/Suíça, do qual a pós-doutoranda participa. Em Seara, este projeto desenvolve ações de qualificação da cadeia produtiva e articula junto aos poderes executivo e legislativo a implementação de uma lei municipal que permita a comercializações de queijos e derivados de leite cru no mercado formal. Os recentes avanços em relação a legislação de queijos e derivados de leite cru consistem na aprovação da Lei 13.680 de 14 de junho de 2018 e Lei 17.486 de 16 de janeiro de 2018, esta última, pelo Estado de Santa Catarina.
Durante o evento, foram apresentados e debatidos os principais resultados de dois projetos de pesquisa que estão sendo executados na região de Chapecó, a saber: “Governança alimentar e práticas das famílias agrícolas uma abordagem pelos fluxos de provisão de alimentos e a multilocalização familiar (GAPRA)” e “Caracterização da produção de alimentos para autoconsumo na região Oeste Catarinense”. Os dois pesquisadores do PGA/LEMATE integram o projeto GAPRA, que conta com a parceria com pesquisadores franceses ligados ao CIRAD e à UMR Art-Dév da Universidade de Montpellier.
Nessa perspectiva, os estudantes realizaram visitas e entrevistas, buscando identificar recursos e ativos territoriais específicos, bem como as estruturas de intercâmbio entre os diferentes atores sociais (pesquisadores, sociedade civil, empresas privadas, órgãos públicos). Nesta etapa, a pesquisa teve ênfase na compreensão do processo de implementação da Indicação Geográfica (IG) da erva mate e no levantamento de iniciativas ligadas à agroecologia.
Nos dias 11 e 12 de abril, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais (Mestrado Profissional) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) organizou o seminário “Ruralidades – Urbanidades: potencialidades e desafios para o desenvolvimento”. Esse seminário integrou três eventos científicos correlacionados ao tema do desenvolvimento territorial: IV Seminário Nacional de Planejamento e Desenvolvimento – SNPD, III Seminário Território, Territorialidades e Desenvolvimento Regional, VI Encontro dos Mestrados Profissionais da Área Planejamento Urbano e Regional/Demografia. Nessa oportunidade, o prof. Cazella do Programa de Pós Graduação em Agroecossistemas da UFSC participou como palestrante da Mesa-redonda 1, cujo tema foi Ruralidades contemporâneas: perspectivas e desafios para a agricultura de base familiar.



ministraram a quarta videconferência sobre o tema da agroecologia no Brasil para estudantes, do último ano de formação, da escola de agronomia Bordeaux Sciences Agro da França. Essa videoconferência vem sendo co-organizada desde 2015 pela prof.a Daciana Papura de Bordeaux, responsável pela disciplina Introduction à l’agroécologie: de la théorie à la pratique, e pelo prof. Ademir Cazella. Nas edições anteriores já se contou com a participação de alunos do PGA/UFSC e do prof. Abdon Schmitt. Com duração de quatros horas, na primeira parte, o prof. Cazella apresentou um histórico da construção social de políticas públicas para a agricultura familiar brasileira e das principais ações de movimentos sociais, sindical, ONGs, Universidades e demais organizações rurais ligadas à promoção da agroecologia. Na segunda parte, a prof.a Maria José abordou a correlação da agroecologia com o tema do bem estar animal e, por fim, o prof. Ilyas discutiu a implantação, aproveitamento e gargalos de sistemas agroflorestais sucessionais a partir de resultados de projetos de pesquisa-ação que tem coordenado. Neste ano, os alunos matriculados na disciplina de Sistemas Agroflorestais do PGA/UFSC, ministrada pelo prof. Ilyas, participaram do evento.